Notícias / Educação Superior
Prodessores e alunos Baniwa e Coripaco discutem a matemática aplicada às pesquisas no ensino médio
29 de novembro de 2007
Em encontro de formação no rio Içana, noroeste amazônico, professores e jovens alunos experimentam cálculos matemáticos a partir de dobraduras, de conceitos matemáticos que fazem parte da tecnologia e da cultura Baniwa e Coripaco e descobrem complexas operações e desenhos geométricos nos mitos de Yoopinai (Curupira)
http://www.socioambiental.org .br/nsa/detalhe?id=2565
Acesso à universidade aumentou, mas concluir curso ainda é desafio, afirmam indígenas
29 de novembro de 2007
Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil
Valter Campanato/ABr
Olinda (PE) - A estudante de nutrição Samira Marcos Tribodowapré, da etnia Xavante, em entrevista na nona edição dos Jogos dos Povos Indígenas
Recife - A estudante indígena de nutrição Samira Marcos Tribodowapré ainda nem se formou e já usa seus conhecimentos para melhorar a alimentação de seu povo.
Ela orienta as comunidades sobre como adaptar à alimentação dos índios os produtos industrializados, que fazem parte do cardápio das aldeias.
A futura nutricionista quer formar agentes multiplicadores quando concluir o curso. A idéia é evitar o aumento de doenças que têm crescido entre os índios como o diabetes, a hipertensão e o colesterol alto.
“As aldeias que podem produzir o próprio alimento sofrem menos, como as do Xingu, onde se come, basicamente, biju e peixe. Já as que ficam próximas às cidades, muitos recebem cesta básica e encontram com facilidade produtos industrializados. Tomam muito refrigerante, comem manteiga e doces com muito açúcar”, conta.
Os pais de Samira Marcos Tribodowapré trabalham na Fundação Nacional do Índio (Funai) e podem pagar uma faculdade para filha, que cursa a Universidade Católica de Brasília. Mas a estudante é uma exceção entres os universitários indígenas. Os jovens reconhecem que o acesso ao ensino superior melhorou nos últimos anos com as cotas, mas terminar o curso ainda é um problema.
“Não existe um incentivo. Os estudantes acabam enfrentando dificuldades para comprar comida, roupa, livros e o resto das coisas de que precisa”, disse o estudante de ciências sociais da Universidade Estadual de Londrina, Marciano Gurani, ao participar ontem (27) da Conferência Livre da Juventude, evento dos Jogos dos Povos Indígenas.
Além da falta de dinheiro, Guarani critica a falta de apoio pedagógico aos índios. “Juntando tudo isso [ apoio financeiro e pedagógico ], acaba afetando emocionalmente o indígena, que desiste de tudo.”
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), existem no país cerca de 3 mil universitários indígenas. A maioria recebe uma bolsa de R$ 400 do governo federal e alguns ainda contam com uma complementação das universidades. Mas, mesmo assim, a evasão neste nível de ensino é de 80%.
“Além de a faculdade ser um ambiente hostil nos primeiros anos, pela própria relação de calouros e veteranos, um índio com cerca de 18 anos já tem família, filhos. Eles têm um compromisso com a aldeia. E uma parte desse dinheiro vai para casa”, explicou o representante da Coordenação de Educação Escolar Indígena do MEC Thiago Garcia, em entrevista à Agência Brasil .
Segundo Garcia, que é antropólogo, outro fator que contribui para a evasão é o choque cultural. “As universidades ficam na cidade enquanto a maior parte dos jovens saem de escolas dentro das reservas.”
Para resolver o problema, ele disse que o ministério busca ampliar vagas e implantar, em parceria com as reitorias, um programa de apoio nas universidades, nos moldes do que está em andamento no campus de Cascavel, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná.
Segundo Garcia, a idéia é que um professor acompanhe o desempenho acadêmico, enquanto um estudante de outra etnia acompanha e orienta os indígenas. “Também tentamos ampliar a parceria para oferecer mais vagas e ampliar a oferta de bolsas”, disse o representante do MEC. Em outras atividades, os professores visitam aldeias e os alunos apresentam suas tradições na universidade.
Durante o debate, no Ginásio Geraldão, os jovens também destacaram a escassez de profissionais indígenas nas áreas de saúde. “Apesar da dificuldade, do preconceito, precisamos de médicos, enfermeiros e fisioterapeutas”, disse João Terena, representante indígena no Conselho Nacional da Juventude, integrado por representantes da sociedade civil e do governo federal.
Fonte: Agência Brasil
http://www.agenciabrasil.gov .br/noticias/2007/11/29
/materia.2007-11-29.0833751074 /view
Valor agregado para produtos florestais
28 de novembro de 2007
Só a demarcação de terras indígenas e de outras unidades de conservação não é suficiente para manter de pé a floresta amazônica. É preciso executar projetos florestais de uso múltiplo sustentável para evitar que a floresta continue sendo valorizada apenas quando está no chão, transformada em madeira, pecuária, soja e outros produtos que requerem desmatamento.
O uso da floresta em pé foi o assunto geral do I Simpósio Amazônia e Desenvolvimento Nacional, realizado pela Comissão da Amazônia da Câmara dos Deputados para ouvir cientistas, governo e políticos envolvidos com o futuro da região de maior floresta tropical do mundo.
“Ou agregamos valor aos produtos ou é impossível manter a floresta em pé. Daí a importância da biotecnologia”, destacou Luis Antônio Barreto de Castro, secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, para quem o investimento em inovação é prioridade do Ministério na realização de pesquisas voltadas para o desenvolvimento científico e tecnológico da região.
Por sua vez, Adriana Ramos, coordenadora do Instituto de Sócio-Ambiental da Amazônia (Isa), criticou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, que não tem, segundo ela, nenhuma inovação para a Amazônia. Na avaliação da coordenadora, ainda não é possível afirmar que existam políticas efetivas de sustentabilidade para a região. "A Amazônia é um pomar abandonado", sintetizou Adriana Ramos.
O representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e ex-reitor da Universidade de Brasília, Lauro Morthy, destacou, por seu lado, que a “a Amazônia é tão grandiosa que não deveria ser submetida às mazelas humanas”. “Ou cuidamos dela agora, ou ela se rebelará para sempre , assim como a natureza reage aos maus tratos”, concluiu Morthy.
Ainda no simpósio, o diretor de Programas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Emílio Cantídio de Oliveira Filho, defendeu que a formação profissional dos amazônidas deve evoluir como forma de dar sustentabilidade a região.
Segundo divulgou a Comissão da Amazônia, números apresentados pelo diretor da Capes mostram que a realidade ainda está longe de ser a ideal. De 1996 a 2006, os cursos de doutorado representaram apenas 2% do total de cursos no país. Na área de saúde, por exemplo, existe apenas um curso, o que dificulta ainda mais a formação profissional. “O número de alunos matriculados é pequeno porque a infra-estrutura é pequena”, destacou Oliveira.
No ano passado, 3.787 alunos cursaram o mestrado e 643 estudantes o doutorado. A Capes, segundo o seu diretor, está aumentando o número de bolsas e também o valor das bolsas para aumentar o fomento na pós-graduação.
Fonte: Kaxiana
http://www.kaxi.com.br/noticias .php?categoria=4
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