Trilhas de Conhecimentos - O Ensino Superior de Indígenas no Brasil

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Programa de Bolsas Vigisus entra em nova etapa

O seminário "Estratégias e Desafios: Acesso ao Ensino Superior para os Povos Indígenas", realizado em março último, em Brasília, trouxe importante contribuição para o alcance dos objetivos propostos pelo Programa de Bolsas do Projeto Vigisus - Funasa. O evento possibilitou o diálogo entre as diversas universidades parceiras do Vigisus e outras instituições de ensino superior, discutindo estratégias para a inclusão social nas universidades públicas brasileiras.
O encontro foi organizado com o objetivo de promover a divulgação e o acompanhamento do Programa de Bolsas para estudantes universitários indígenas. Ele envolveu a troca de experiências e conhecimentos sobre os desafios enfrentados pelos estudantes e pelas instituições que possuem um programa específico para a inclusão de estudantes universitários indígenas.
Como produto do Seminário, foi elaborado um documento encaminhado para as autoridades competentes, que sinaliza para a necessidade de uma política pública de acesso e manutenção no Ensino Superior para povos indígenas, bem como para a importância da continuidade e ampliação do Programa de Bolsas do Projeto Vigisus - Funasa.

Conheça o Programa

O Programa de Bolsas do Projeto Vigisus - Funasa, implementado em 2006, tem como objetivos a manutenção de estudantes indígenas da área da saúde em universidades que possuem estrutura específica para um acompanhamento diferenciado e o fomento de políticas públicas de acesso e manutenção de indígenas nas universidades. O Programa teve início com a parceria de 07 universidades públicas brasileiras, contemplando 30 estudantes indígenas de 16 etnias: Xavante, Pareci, Umutina, Chiquitano, Bakairi, Guarani, Kaingang, Terena, Pataxó, Baré, Bororo, Fulni-ô, Atikun, Karajá, Macuxi e Wapichana.
Para a implementação do Programa foram definidos critérios para a concessão das bolsas que delimitam as responsabilidades dos estudantes e o compromisso com as comunidades indígenas. Foram estabelecidos, também, critérios para as universidades parceiras: elas devem ter ou criar programas de acesso específico e diferenciado, com acompanhamento pedagógico aos estudantes indígenas durante a formação. O Programa prevê, ainda, que os estudantes indígenas atendidos não podem receber bolsas de outras instituições a fim de evitar uma concentração de recursos.

Como funciona

O acompanhamento pedagógico visa garantir resultados satisfatórios no desempenho acadêmico dos estudantes indígenas. A universidade parceira disponibiliza um professor/coordenador que fará as interlocuções com as diversas áreas do curso, proporcionando aos estudantes indígenas um apoio diferenciado na sua formação.
A elaboração de uma política de acompanhamento dos estudantes indígenas no sistema de ensino superior deve ser múltipla, pois envolve aspectos relativos às políticas sociais, aos procedimentos administrativos e às ações no campo da produção cultural e científica. Essa diretriz de atuação ampla, voltada para a formação interdisciplinar e articulada com a reflexão sobre questões sociais, culturais e ambientais das comunidades indígenas, tem orientado os programas criados pelas universidades que atendem aos critérios do Programa de Bolsas.

Resultados

Neste sentido, o Programa de Bolsas fomentou estas discussões nas universidades parceiras, abrindo novos campos de discussão da problemática do acesso e manutenção de estudantes indígenas no ensino superior, conforme relatado nos documentos produzidos pelas universidades. Pretende-se que a formação de profissionais de saúde indígenas (medicina, enfermagem e odontologia) impacte positivamente o Subsistema de Saúde Indígena com mão-de-obra adequada e comprometida com as especificidades dessas populações.
De acordo com Tânia Ferreira, do Vigisus-Funasa, "é importante destacar que o ingresso dos estudantes indígenas nos espaços acadêmicos não se restrinja à simples abertura de vagas ou de programas de acesso, mas se traduza em questionamentos e numa maior sensibilidade das instituições universitárias com essa clientela". Ela diz ainda que "só assim poderemos efetivamente consolidar a tão propagada inclusão social numa perspectiva de diálogo com a diversidade".

Faça o download das Conclusões dos Grupos de Trabalho do Seminário



 

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