Prezado assinante,
Essa é mais uma edição do informativo do
portal
Trilhas
de Conhecimentos. A primeira notícia diz
respeito ao lançamento do Edital de Convocação
nº 3, de 24 de junho de 2008, do Programa de Apoio à
Formação Superior e Licenciaturas Indígenas
– PROLIND, que diz o seguinte: O Ministério da
Educação - MEC, por intermédio, da Secretaria
de Educação Continuada, Alfabetização
e Diversidade - SECAD, da Secretaria de Ensino Superior - SESu
e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
- FNDE - convocam as Instituições de Educação
Superior - IES públicas federais e estaduais para apresentarem
propostas de projetos de Cursos de Licenciaturas específicas
para formação de professores para o exercício
da docência aos indígenas, considerando as diretrizes
político-pedagógicas publicadas neste Edital,
formuladas e aprovadas pela Comissão Especial criada
pela Portaria nº 52, de 29 de outubro de 2004, para elaborar
políticas de educação superior indígena
- CESI/SESU/MEC, e as normas Lei n° 11.514, de 13 de agosto
de 2007, o Decreto n° 6.170, de 2007, a Portaria Interministerial
n° 127, de 2008.
Acesse os anexos do edital:
Edital
de Convocação n° 03 - Prolind pág[1].
39.pdf
Edital
de Convocação n° 03 - Prolind pág[1].
40.pdf
Edital
de Convocação n° 03 - Prolind pág[1].
41.pdf
Em seguida, temos uma matéria que fala sobre o Programa
de Políticas Afirmativas implantado na Universidade
Federal do Pará. Depois, os leitores poderão
conferir a dissertação do pesquisador associado
do Projeto Trilhas de Conhecimentos, Marcos Paulino, que analisa
as ações afirmativas no Paraná. Temos,
também, informe sobre a Oficina dos Advogados Indígenas,
realizada em maio último, em Brasília e, por
fim, a apresentação que a médica e antropóloga
Luiza Garnelo fez no seminário de preparação
do Curso de Formação Política do CINEP.
Tenham todos uma boa leitura!
Programa de Políticas Afirmativas
é implantado no Pará
Em 2007, foi registrado na Universidade Federal do Pará
(UFPA), junto à Pró-reitoria de Ensino de Graduação
(PROEG), o Programa de Políticas Afirmativas para Povos
Indígenas e Populações Tradicionais (PAPIT),
tendo como missão a formação em nível
superior para povos indígenas e demais populações
tradicionais.
Hoje, as ações do PAPIT caminham no sentido
de políticas institucionais que contribuam para uma
mudança de patamar na implantação de
ações afirmativas na UFPA. Para isso, é
importante promover a capacitação dos quadros
da instituição para receber e oferecer oportunidades
diferenciadas; tornar compreensível ao corpo técnico
da UFPA a importância de reservar vagas nos cursos demandados
pelos grupos vulnerabilizados aos espaços de formação
acadêmica; e implantar, sob a forma projeto-piloto,
o curso em Etno-desenvolvimento (Licenciatura e Bacharelado)
no Campus de Altamira, que sirva de referência para
a reprodução da proposta nos demais campi da
UFPA. A escolha do Campus de Altamira justifica-se pelo fato
do corpo técnico-docente ter aceito o desafio de implementar
políticas afirmativas a partir do plano de expansão
da unidade, formalizando a existência de um curso diferenciado.
Para subsidiar essas ações planeja-se investigar
a situação dos indígenas ingressos na
UFPA, via vestibular, atingindo 100% do público (79
estudantes) que sem qualquer apoio permanecem na instituição
e, também, avaliar sua situação e, especialmente,
o esforço de estudar sem amparo de política
de assistência estudantil diferenciada. Além
disso, estuda-se implementar pesquisa-ação abrangendo,
a princípio, a área das bacias dos rios Xingu,
Tapajós, Araguaia e Tocantins, no Pará, junto
aos grupos vulnerabilizados: povos indígenas, comunidades
quilombolas, caboclas, ribeirinhas e assentadas, entre outros,
a fim de gerar dados que alimentem a formulação
de propostas de pesquisa, ensino e extensão voltadas
para as comunidades participantes do PAPIT.
Histórico de políticas
afirmativas na UFPA
No intuito de enfrentar este desafio, em 2004, na UFPA, o
Grupo de Estudo Afro-amazônico elaborou proposta pleiteando
20% de vagas dos cursos de graduação ofertados
pela instituição para negros, além de
reserva de vagas para indígenas e quilombolas. A proposta
foi encaminhada para a Câmara de Ensino de Graduação
e, nas primeiras discussões, foi sugerido que a reserva
para indígenas fosse retirada da proposta do Grupo,
sob o argumento de que a reserva de vagas para indígenas
deveria compor outra proposta.
A proposta do Grupo de Estudo Afro-amazônico tramitou
na UFPA durante os anos de 2004 e 2005, após o que
foi analisada pela Câmara de Ensino de Graduação,
com parecer favorável à proposta no que tangia
a reserva de vagas para negros, não se referindo aos
quilombolas. A proposta foi, no entanto, rejeitada pelo Conselho
Superior de Ensino e Pesquisa (CONSEPE) em agosto de 2006.
O CONSEPE aprovou uma proposta apresentada em seu plano que
estabelecia 50% de vagas para a escola pública e desse
percentual 40% para negros.
Povos indígenas
Em relação aos povos indígenas, a partir
dos anos 1990 as universidades brasileiras iniciam um processo
de reserva de vagas e de oferta de cursos de graduação
específicos para indígenas, como é o
caso da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), da
Universidade do Estado da Bahia (UNEB), da Universidade Estadual
do Mato Grosso (UNEMAT), da Universidade Estadual do Mato
Grosso do Sul (UEMS), da Universidade Federal do Paraná,
das universidades estaduais do Paraná como a Universidade
Estadual de Maringá e a de Londrina, dentre estas,
da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), da Universidade
Federal de Roraima (UFRR), da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG), e da Universidade Federal de São Carlos
(UFSCar), entre outras.
Na UFPA, em 2004, houve reserva de vagas para indígenas,
negros e portadores de necessidades especiais no curso de
pós-graduação em Direito, não
sendo preenchida nenhuma delas nesse ano. Em 2007, dois indígenas
foram selecionados para o Programa e atualmente cursam o mestrado
com êxito. Rosani Fernandes, aluna do curso tornou-se
bolsista do Programa Internacional de Bolsas/Fundação
Carlos Chagas-Fundação Ford na última
seleção feita pela Instituição.
"Para 2009, em atenção à demanda
dos Povos Indígenas do Tocantins, a UFPA comprometeu-se
a formular proposta que abrigue até dois indígenas
em cada um de seus cursos oferecidos a partir de seus 10 campi,
a proposta deve ser apresentada ao CONSEPE em agosto. Assim
espera-se abrir as portas da Instituição contemplando
povos diversos a caminho de um projeto de Brasil plural",
declara a antropóloga Jane Beltrão, coordenadora
do PAPIT.
Confira também:
Dissertação analisa
ações afirmativas no Paraná
Foi defendida em 27 de maio, pelo Programa de Pós-graduação
da Faculdade de Educação da UFRJ, a dissertação
"Povos Indígenas e Ações Afirmativas:
o caso do Paraná", de Marcos Paulino, pesquisador
associado do projeto Trilhas de Conhecimentos. A investigação,
financiada pelo projeto, tem como problemática as ações
afirmativas para indígenas empreendidas pelas universidades
públicas do estado do Paraná, no período
de 2002 a 2007, que têm particular experiência
entre as universidades brasileiras.
As estaduais do Paraná são precursoras na implementação
de ações afirmativas para ingresso no ensino
superior com corte étnico-racial, com um vestibular
específico para indígenas (primeiro no Brasil)
que já existe há sete anos. Hoje, todas as universidades
públicas deste estado fazem parte desta política,
sendo oferecidas sete vagas suplementares na Universidade
Federal do Paraná (UFPR) e cinco em cada uma das estaduais,
destinadas exclusivamente para acesso de indígenas
em cursos regulares.
Para conhecer mais de perto esta experiência, o autor
realizou, em agosto de 2007, pesquisa de campo no Paraná
onde foram visitadas três universidades: Universidade
Federal do Paraná (Curitiba), Universidade Estadual
de Londrina (Londrina) e Universidade Estadual de Maringá
(Maringá). A dissertação traz o material
empírico coletado, oriundo de entrevistas realizadas
com professores universitários e estudantes indígenas,
além de dados sobre acesso e condições
de permanência.
O autor se propõe a analisar, no Capítulo I,
o processo de formulação desta política,
implementada pela Lei 13.134, de 18 de abril de 2001. Resgata
as justificativas de seus propositores e as repercussões
de sua aprovação, na universidade e entre os
povos. Destaca também como se deu a escolha do processo
seletivo: o Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná.
No Capítulo II, discute os critérios para a
homologação das inscrições no
vestibular e o perfil dos candidatos inscritos. Apresenta,
também, as especificidades deste concurso, sua metodologia,
objetivos e resultados.
As implicações do ingresso dos acadêmicos
indígenas nas universidades paranaenses são
discutidas no Capítulo III. O autor salienta que uma
política unificada de acesso não correspondeu
ao oferecimento das mesmas condições de permanência
em todas as universidades participantes. Analisa, neste sentido,
a ação de uma comissão composta por professores,
a Comissão Universidade para os Índios (CUIA)
e, em alguns casos, a participação da FUNAI.
No Capítulo IV, o autor tenta traçar os efeitos
futuros desta política para os indígenas após
a conclusão de seus cursos, levando em conta prováveis
reflexos da formação universitária em
suas comunidades, baseado em depoimentos de estudantes e lideranças
do estado. Quanto à universidade, o autor avalia o
impacto desta política em seu cotidiano e em sua produção
acadêmica, que já se mostra, e as perspectivas
futuras. Este capítulo traz, ainda, uma análise
da formação superior para indígenas sob
os aportes teóricos de Antonio Gramsci, utilizando
principalmente seus estudos sobre intelectualidade.
A dissertação estimula o debate e a produção
acadêmica sobre o tema. Segundo o autor, as ações
afirmativas no Paraná expõem a reedição
de velhos protocolos, sob roupagem de "inclusivos"
e "diferenciados", mas também mostram o pulsar
de estratégias inovadoras, vindas dos próprios
índios ou de setores da universidade, o que merece
ser registrado e divulgado.
"Acredito que este trabalho contribui para pensarmos
sobre o ensino superior brasileiro, analisando a experiência
das universidades públicas do Paraná em ações
afirmativas para acesso indígena e suas iniciativas
em relação à permanência. A intenção
é defender uma universidade pública em que caibam
todos os povos, sob perspectiva que vá além
do acesso", afirma Marcos Paulino.
Marcos Paulino é mestre em Educação
pela UFRJ, pesquisador associado do Projeto Trilhas de Conhecimentos,
licenciado em Biologia e professor da rede estadual do Rio
de Janeiro.
E ainda:
Evento cria Observatório de
Direitos Indígenas
Organizado pelo CINEP, foi realizado nos dias 28 e 29 de
maio último, na Casa de Retiro Assunção,
em Brasília, a oficina com advogados indígenas,
que tem como objetivo criar e estruturar o Observatório
de Direitos Indígenas no Brasil, que estará
sob a responsabilidade de uma rede de advogados indígenas.
Conheça a programação do evento clicando
aqui.
E mais:
Luiza Garnelo fala sobre o curso Formação
Técnica de Agentes Indígenas Comunitários
de Saúde
Bacharel em Medicina pela Universidade Federal do Amazonas
(UFAM) e bacharel em Filosofia, pela mesma instituição,
Luiza Garnelo fez residência em Medicina Preventiva
e Social na UFAM, mestrado em Ciências Sociais pela
Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo e doutorado em Ciências Sociais/Antropologia pela
UNICAMP. Atualmente é pesquisadora da Fundação
Oswaldo Cruz em Manaus e professora adjunta da disciplina
de saúde coletiva da Universidade Federal do Amazonas.
Além disso, Luiza desenvolve pesquisa e extensão
em Saúde Coletiva e Antropologia, com ênfase
em Antropologia e Saúde e Etnologia Indígena,
atuando prioritariamente na área indígena do
Alto Rio Negro. Esta entrevista foi extraída de um
debate sobre o curso Formação Técnica
de Agentes Indígenas Comunitários de Saúde:
o caso do Alto Rio Negro, realizada na Universidade de Brasília
em maio último.
A proposta é a implantação do curso
técnico profissionalizante para os agentes de saúde
de São Gabriel da Cachoeira, município da região
do Alto Rio Negro, onde cerca de 90% da população
é composta por índios e descendentes. A maior
parte do município é formada por terras indígenas.
A região reúne, ao longo do médio e alto
Rio Negro, 430 povoados que abrigam cerca de 35 mil índios
de 23 povos distintos. Juntos, representam em torno de 10%
da população indígena brasileira.
Para Luiza Garnelo é importante construir um projeto
político-pedagógico marcado, sobretudo, pelo
perfil do agente de saúde indígena voltado para
o trabalho comunitário, para a promoção
da saúde e da vigilância das condições
de saúde do ambiente, do seu território. Segundo
a médica e antropóloga, é fundamental
que se faça uma articulação mais próxima
do movimento indígena, que é uma grande lacuna
nas alianças políticas que os agentes de saúde
te tentado estabelecer. Ela enfatiza a importância do
conhecimento do agente de saúde por ser um membro da
comunidade, e da rede de relações que estão
estabelecidas no comando do território onde vive.
O curso pretende quebrar os paradigmas de tudo o que já
foi feito até então: "os treinamentos são
marcados pela medicina biológica, pela questão
dos diagnósticos das doenças, mas não
se cuida da saúde. Os agentes têm que trabalhar
com a comunidade, com o diagnóstico coletivo. É
importante reconhecer as condições que ameaçam
à saúde e o viver bem", diz Luiza. Outro
fator importante ressaltado pela médica, diz respeito
à segurança alimentar que, para ela hoje, representa
um dos fatores de maior risco à saúde e a uma
vida adequada.
De acordo com Luiza, a participação dos agentes
de saúde nos Conselhos de Saúde é muito
fraca e são outros atores que acabam fazendo o controle
social. Para isso, a proposta do curso é de oferecer
aos agentes de saúde uma formação técnica
oficial. A primeira etapa formativa, que consiste em aproximadamente
400 horas/aula, será realizada em paralelo com a Secretaria
Municipal de Educação de São Gabriel,
de forma a oferecer a conclusão do ensino fundamental
aos alunos. Já para a segunda etapa formativa, será
exigida que os agentes tenham concluído o ensino fundamental
e estejam cursando o ensino médio, que será
oferecido em uma parceria com a Secretaria de Estado de Educação
do Amazonas. A última etapa consiste em um estágio,
que será comunitário, isto é, realizado
dentro das comunidades, com a prerrogativa de conclusão
do ensino médio para que os alunos possam assim receber
o seu certificado.
Clique
aqui e tenha acesso à íntegra da
apresentação que Luiza Garnelo fez ao seminário
de preparação do Curso de Formação
Política do CINEP