Prezado assinante,
Nesta edição do informativo do portal Trilhas
de Conhecimentos os leitores vão poder ter
acesso à uma pesquisa realizada pela doutora em Antropologia
e pesquisadora associada ao Laboratório de Pesquisas
em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento (LACED), Mariana
Paladino, com a colaboração e assistência
da mestranda em Educação Gabriela Bergesio,
com o objetivo de conhecer a situação de acesso
e permanência dos povos indígenas no ensino superior
na Argentina. O trabalho foi motivado pela inexistência
de informações sobre o tema naquele país.
O levantamento coletou informações em órgãos
de governo, no âmbito universitário, em ONGs
e organizações indígenas daquele país.
A pesquisa apontou para diferentes tipos de informações:
em primeiro lugar para a identificação de políticas
públicas e ações governamentais voltadas
para a assistência educativa dos povos indígenas
no nível superior; em segundo, para ações
ou programas universitários voltados a atender certas
demandas dos povos indígenas no tocante a educação
escolar. Por fim, para o estudo das trajetórias escolares
e sociais de alguns estudantes indígenas universitários,
e as perspectivas de lideranças de organizações
indígenas sobre o sentido do acesso ao nível
superior, e sobre a formação profissional e
técnica para os projetos de futuro desejados por elas.
O trabalho foi realizado junto à Universidad de Buenos
Aires (UBA), à Universidad Nacional de Formosa e à
Universidad del Nordeste localizadas no nordeste do
país e à Universidad Nacional del Comahue,
na província de Neuquén, no sul do país.
As universidades objeto da pesquisa foram escolhidas pelo
fato de estarem localizadas em regiões habitadas por
grupos indígenas muito numerosos.
A escolha permitiu evidenciar grandes diferenças entre
as situações analisadas, não somente
em relação às grandes desigualdades regionais,
no acesso e permanência das populações
indígenas na universidade, e nos diferentes tipos de
dificuldades enfrentadas por elas, mas também em perspectivas
muito distintas sobre o sentido de realizar estudos de nível
superior, em diversas trajetórias e formas de se relacionar
com o âmbito universitário. Com o trabalho, ficou
evidente em alguns casos, um ocultamento da identidade étnica
e, em alguns, ao contrário, a possibilidade de realizar
alguns cursos promoveu uma experiência de valorização
da identidade. Para outros, que têm transitado por experiências
de organização política prévia,
o sentido de estudar na universidade é o de se apropriar
de ferramentas ou armas para suas lutas e projetos.
De acordo com Mariana Paladino, as reações
das pessoas entrevistadas por ela para a pesquisa foram bastante
significativas e serviram, por si só, como dados para
seu levantamento: "desde as que reagiram com surpresa
e estranharam o objeto da minha pesquisa, até as que
se mostraram grandemente interessadas e tentaram construir
uma reflexão". Segundo ela "foi muito rico,
também, o diálogo com alguns estudantes indígenas
e a possibilidade de conhecer parte das suas trajetórias".
Conheça
mais do trabalho aqui lendo o artigo, vendo os quadros comparativos
e o mapa e também lendo duas das entrevistas realizadas
pela pesquisadora.