São remanescentes da família Guaikuru que compreende vários grupos, todos com ethos de caçadores agressivos. Ocupavam preferencialmente a planície do Chaco ou apropriavam-se do rio Paraguai. Na atualidade ocupam a Área Indígena Kadiwéu, ao norte do município de Porto Murtinho, somando cerca de 1.500 pessoas.
A literatura etnográfica confere destaque à análise da organização social deste grupo indígena, que teria desenvolvido uma estrutura mais complexa que a normalmente encontrada entre outras sociedades indígenas da América do Sul não-andina. Tratava-se de uma sociedade "senhorial" (termo utilizado com frequência pelas fontes históricas), que integrava os prisioneiros de guerra como cativos, a casta mais baixa da organização social Guaikuru, composta também pelos guerreiros e pela nobreza.

Fonte: http://www.neppi.org/fz (site do Fome Zero Indígena/MS; acessado em 31/01/06).
A adoção do cavalo significou para muitos grupos indígenas chaquenhos uma profunda mudança social, mas estreitamente ligada com as condições de subsistência do ambiente criollo colonial. A rapidez dos deslocamentos, a eficácia de novas táticas empregadas nas caçadas, a segurança de vitórias sobre seus vizinhos pedestres, o ethos da superioridade étnica, a auto-exaltação do homem guerreiro e logo, a igualdade competitiva com os colonizadores fez dos Guaikuru um povo temido e respeitado.
A família Kadiwéu é monogâmica, mas os casamentos geralmente duram pouco tempo, sobretudo entre jovens. A prática do divórcio é, assim, amplamente difundida e exercida. A residência dos conjugues após o casamento é matrilocal, com raras exceções. Ultimamente o novo casal vem adquirindo maior independência e tem constituído residência própria, normalmente nas imediações da casa dos pais da mulher. A vida cerimonial Kadiwéu é marcada atualmente pelos rituais de iniciação feminina e os relacionados à morte e ao luto além das atividades rituais realizadas nas festas do Bate-pau e do Bobo, que por sua vez, ocorrem principalmente no "Dia do Índio" e ocasionalmente em outras datas festivas.
A atividade xamanística perdeu muito de sua importância, mas o reduzido número de nidjienigi (xamãs), também chamados "padres", ainda conserva um certo prestígio. Uma das suas principais atividades, a de "curador", sofre a concorrência direta da assistência médica prestada pelos missionários evangélicos (e atualmente também pelos agentes de saúde da FUNASA), sendo que os Kadiwéu recorrem freqüentemente às duas práticas.
Atualmente a economia Kadiwéu se organiza principalmente em torno da obtenção dos recursos provenientes do arrendamento do seu território e através de projetos de parceria pecuária, além das atividades agrícolas, de criação de gado bovino e eqüino, e em menor escala, da caça, pesca e coleta. A realização de empreitadas e a venda da força de trabalho dos índios nas fazendas vizinhas e junto aos próprios arrendatários também são atividades importanes de subsistência. Todas essas tarefas são prioritariamente masculinas, excetuando-se a coleta. As mulheres também são as principais produtoras de artesanato para venda, gerando recursos razoáveis para a economia familiar.
Situação das terras
O território Kadiwéu foi legalmente reservado por força do Alvará de 01 de abril de 1680, que nunca foi revogado. O tratado de 1791 também reconheceu oficialmente o território estão ocupado pelos Mbayá-Guaikuru. Em 1889, o engenheiro José Alves Barros Maciel mediu e demarcou as terras Kadiwéu a pedido do presidente do Estado do Mato Grosso, cel. Antonio Pedro Alves de Barros, e em 1891 já possuíam título legítimo. A 07 de agosto de 1903 a medição da área foi aprovada pelo governador de Mato Grosso, coronel Antonio Pedro Alves Barros. Entre 1957- 58 a Assembléia Legislativa de Mato Grosso propôs a redução da área para 100.000 hectares e em 30 de agosto de 1961 o Tribunal Federal deu ganho de causa aos índios. A demarcação física foi realizada pelo Exército em 1981 e finalmente homologada pelo decreto nº 89.578 de 24.04.84, assinado pelo presidente João Figueiredo e ministro Mário Andreazza, num total de 538.536 hectares.
Os Kadiwéu lutaram ao lado dos brasileiros na guerra contra o Paraguai e atualmente dão grande importância à participação de seus antepassados nessa guerra, em função do qual teriam ganhado o território que habitam atualmente. Depois que pararam de guerrear e se sedentarizaram, a sociedade Kadiwéu passou por um processo acelerado de mudanças, ocasionado pela adaptação a outras atividades econômicas e pela própria mudança de atitudes de suas lideranças no relacionamento com os não-índios. Durante o último século, também enfrentaram inúmeros invasores mas foram intransigentes na defesa de seu território, recorrendo inclusive à histórica agressividade de seus ancestrais quando necessário.
Existem trabalhos sobre os Kadiwéu escritos por, entre outros, Boggiani, Lévi-Strauss, Darcy Ribeiro e Jaime Siqueira Garcia Jr.
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