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TRILHAS: Secretário, como o Ministério
a Educação (MEC), e mais especificamente
a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização
e Diversidade (SECAD) e a Secretaria de Educação
Superior (SESU) estão planejando desenvolver uma
política governamental para a educação
escolar indígena, dando seguimento ao que já
está feito?
A.L.: Nós conseguimos algum avanço importante,
quando no PROUNI incluímos a orientação
para o acolhimento dos estudantes indígenas. No
entanto, esse foi apenas um primeiro movimento. Havia
um segundo movimento importante para nós que é
aquele relativo à criação de uma
lei de cotas para as universidades federais, a qual, infelizmente,
ficou parada no Congresso. Por meio dessa lei, 50% das
vagas das universidades federais seriam reservadas aos
alunos da rede pública estadual e, dentro desse
universo de vagas, seriam determinadas cotas específicas
para estudantes indígenas e negros.
Todavia, eu creio que com o REUNI nós tenhamos
sinalizado para a rede de universidades federais a necessidade
de uma política de inclusão que leve em
conta as peculiaridades de cada região do país
e, em particular, o atendimento às populações
indígenas. Infelizmente, a resposta ficou aquém
daquilo que são as legítimas demandas indígenas
mas, como o REUNI é um processo, creio que nós
podemos avançar num diálogo com as universidades
federais, que no gozo de sua autonomia podem também
propor melhor acolhimento. Temos um desafio a vencer muito
importante, que é o de estabelecer um modo de garantir
a permanência dos estudantes indígenas nas
universidades. O Governo Federal lançou um importante
programa de apoio à permanência, destinando
recursos para as universidades federais subsidiarem a
permanência desses estudantes.
TRILHAS: Esse programa pode dar bolsas para manutenção
dos estudantes (moradia, transporte e gastos com material,
entre outros)? Essa é uma grande lacuna e uma reclamação
dos estudantes indígenas dos cursos superiores.
A.L.: Essa reclamação é correta.
Até o momento, o programa não permite bolsas.
O Ministro, que tem muita preocupação com
a questão indígena, incluiu especificamente
no PDE uma argumentação favorável
à compreensão do direito indígena
à educação em todos os níveis.
Ele nos autorizou a estudar uma proposta de lei que considere
a questão da permanência e da oferta de bolsa.
Então eu creio que, ao longo desse ano de 2008,
nós poderemos avançar e apresentar uma política
coerente para o conjunto de demandas indígenas
por educação superior.
TRILHAS: Nesse sentido, vocês acham possível
avançar o diálogo com as universidades que
aderiram ao REUNI? Vocês pensam em alguma estratégia
mais específica para esclarecer as universidades
quanto às possibilidades de avanço no suporte
à educação superior de indígenas?
A.L.: Eu acho que precisamos fazer uma coisa que é
muito importante e muito sutil de ser feita, que é
avançar na compreensão do que é o
direito indígena. Hoje o Brasil ainda vive preso
a dois grandes mitos em relação aos indígenas.
Um mito romântico que pretende manter os indígenas
num pseudo-estado de natureza e que, portanto, a educação
superior não lhes seria adequada. Quase como se
assim os fôssemos proteger de um mundo “branco”
destrutivo. Um segundo, mas não menos nocivo que
este, é o mito que ao identificar as diferenças
das comunidades indígenas, desqualifica essas diferenças,
o que se traduz em um conjunto de expressões como
“índio não gosta de trabalhar”,
esse tipo de visão preconceituosa e negativa. Esse
universo imaginário acaba obstruindo a visão
do direito indígena, e a compreensão de
que o papel da educação superior no Brasil
também é formar lideranças indígenas
para que elas possam exercer os direitos que a Constituição
lhes prometeu, com plena responsabilidade. Basta um exemplo
óbvio: as populações indígenas
têm direito a uma parte expressiva do território
nacional, um direito garantido e constituído, e
se nós não os ajudarmos para que desenvolvam
tecnologias de gestão territorial, nós não
estaremos ajudando esses povos a exercerem esse direito.
Então eu acho que a primeira parte, muito importante,
é a parte do convencimento, da sensibilização
e de debate político no âmbito do direito.
O Brasil ainda não é um país onde
o imperativo do direito esteja garantido, ainda opera
sob certas dimensões patrimonialistas e de favor.
Eu creio, então, que ainda tenhamos que avançar
muito no campo do reconhecimento dos direitos indígenas.
Esse direito tem que estar conectado a programas concretos.
Com o REUNI, abre-se esse espaço, que tem que ser
ocupado. Outro programa concreto é o Programa de
Formação Superior e Licenciaturas Indígenas
– PROLIND, que é referente às licenciaturas
indígenas, que nesse momento passa por uma transição
de institucionalidade, para a qual já temos o apoio
do ministro. A intenção é que o PROLIND
venha a se constituir num programa de apoio à docência,
específico para a população indígena,
que permitiria o pagamento de bolsas para tutores, orientadores
e aos próprios indígenas. Com isso, nós
teríamos uma política que daria conta da
formação dos professores indígenas.
Precisaríamos, então, de uma política
complementar para a formação nas outras
áreas, dentro das universidades públicas
brasileiras.
A SECAD tem um programa pelo qual eu tenho uma profunda
admiração, o Conexões de Saberes.
É um programa que está presente, por enquanto,
em trinta e três universidades federais, que acolhe
estudantes de baixa renda, de origem popular, alguns definem
cotas raciais, outros não definem, nós preferimos
que seja do arbítrio de cada instituição.
O que tem de interessante e muito criativo, é que
ele procura, ao acolher o estudante de origem popular,
fortalecer nesse estudante seu vínculo com a sua
comunidade de origem e estabelecer um estreitamento na
relação entre a universidade e essa comunidade.
Eu estou convencido de que nós temos que avançar
para termos um Conexões de Saberes Indígena,
porque com isso, nós teríamos um programa
que acolheria as demais áreas profissionais, além
das licenciaturas, nas quais estão inseridos os
alunos indígenas, nas universidades federais, fortalecendo
o seu vínculo étnico e identitário.
Creio que com isso, nós vamos avançar no
sentido de uma política de acolhimento do estudante
indígena na rede federal, e um acolhimento que
valorize a sua origem, e não opere para o seu esquecimento.
TRILHAS: Seria então um acolhimento que
contemplaria o custo diferencial dos alunos indígenas?
Este é um item bastante importante, já que
há uma diferença orçamentária
no custo dos alunos indígenas e no custo dos alunos
regulares.
A.L.: O próprio Fundo de Manutenção
e Desenvolvimento da Educação Básica
e de Valorização dos Profissionais da Educação-FUNDEB
tem esse reconhecimento, a própria merenda escolar
tem esse reconhecimento, então é preciso
que as demais políticas que serão desenvolvidas
contemplem esse diferencial que já consta na política
pública brasileira. É necessário
que esse conhecimento, que de fato já se normatizou,
se expanda para outros programas.
TRILHAS: Secretário, há planos concretos
para o lançamento de um outro edital do PROLIND?
A.L.: Nós tomamos uma decisão, inclusive
hoje pela manhã eu já assinei seu encaminhamento:
nós vamos publicar esse edital o mais breve que
possamos, já está encaminhado, já
está formatado, não creio que passe de abril
a publicação desse edital. A nossa intenção
é apoiar essas iniciativas porque elas são
relevantes para nós. O edital assumirá o
compromisso de manutenção dos cursos ao
longo dos quatro anos, de tal maneira que nenhuma universidade
sofra descontinuidades de financiamento. Creio que o melhor
formato virá a ser um Programa de Bolsa Institucional
de Iniciação à Docência–PIBID
Indígena. Isso dará maior institucionalidade
para o programa, e eu creio inclusive que um PIBID Indígena
será mais atrativo do que o modelo que hoje temos.
Nós não queremos acabar com o PROLIND sob
hipótese alguma, muito pelo contrário, queremos
é lhe dar melhor institucionalidade. Se hoje se
tem o PROLIND, e teremos também um programa de
iniciação à docência chamado
PIBID Indígena, assim teremos uma base legal para
o pagamento de bolsas.
Eu creio que temos plenas condições para
que, em 2009, o programa esteja em funcionamento amplo,
e com grande apoio.
TRILHAS: Então em 2008 nós podemos
contar com um segundo edital do PROLIND?
A.L.: Com certeza, este edital já está,
inclusive, encaminhado para a validação
legal.
TRILHAS.: E em 2009 nós podemos esperar
um PIBID Indígena e um Conexão de Saberes
Indígena?
A.L.: Sim, é para onde queremos caminhar!
TRILHAS.: Considerando a importância que
o MEC teve, através da Coordenação
Geral de Educação Escolar Indígena
(CGEEI), no tocante à produção de
material didático para a educação
escolar indígena, há previsão de
continuidade desse investimento, numa direção
não voltada apenas para o ensino fundamental, mas
também para o ensino médio e para a educação
superior?
A.L.: O Ministério da Educação,
em 2007, estabeleceu um novo procedimento, que foi o Plano
de Desenvolvimento da Educação (PDE), por
meio do qual nós induzimos os estados e municípios
a produzirem Planos de Ação Articulados
(PAR). Isso foi muito produtivo para a área indígena
porque nós constituímos uma singularidade,
que foi o PAR Indígena, com o forte apoio do Ministro
e da Secretaria Executiva do MEC. Esse PAR Indígena
definiu algumas grandes áreas de cooperação
entre o Governo Federal e os estados, a formação
inicial de professores, a formação continuada,
a produção de material didático,
a construção de escolas, em alguns casos
o ensino médio integrado indígena, em outros
casos na área de formação mais ampla.
Nós repassamos algo em torno de R$ 116 milhões
para os estados, nessas grandes linhas, e a nossa preocupação
agora é garantir o controle social sobre a execução
desse recurso, para que esse recurso de fato se destine
àquilo que foi acordado conosco, porque no acordo
precisava se dizer qual era a escola indígena,
que comunidade, qual a etnia que seria atendida, de tal
maneira que os preceitos legais que determinam a participação
da comunidade indígena na execução
das políticas que lhes são destinadas fossem
garantidos. Nós estamos avançando na direção
de um novo desenho institucional, que são os Arranjos
Étnico-educacionais, os quais irão nos permitir
cumprir o que é a promessa da Constituição
brasileira. Eu acho que o Brasil precisa fazer muitas
homenagens à Constituição de 1988,
e com certeza a área indígena talvez seja
aquela que melhor tenha garantido os seus direitos nessa
Constituição, e que mais tenha dificuldade
hoje em sua implementação. Creio que esse
é um ano propício para que nós façamos
as perguntas sobre como concretamente nós estamos
disponibilizando instrumentos de gestão pública
para garantir que a promessa da Constituição
chegue, de fato, a cada um dos cidadãos indígenas
do país.
Quanto à questão da produção
de material didático nos diferentes níveis,
eu acho que nós precisamos avançar na direção
de um desenho que comprometa mais os parceiros, os estados,
universidades, municípios, as organizações
indígenas e indigenistas. Eu sinto que, por um
tempo, foi correto nós trazermos para o MEC uma
responsabilidade maior quanto ao atendimento dessa demanda
legítima, mas creio que quanto mais o MEC puxa
para si essa responsabilidade, menos constrói condições
locais de governança sobre a política, e
uma política pública sem governança
local se torna uma política meio ao arbítrio
do gestor. Não fortalece o controle social sobre
ela. Eu creio que os Arranjos Étnico-Educacionais
nos ajudarão a construir acordos sobre as prioridades,
acordos sobre as responsabilidades e acordos sobre a destinação
de recursos. Hoje, infelizmente, segundo notícias
que nós temos, os recursos destinados à
merenda indígena nem sempre chegam às aldeias
indígenas. Assim, ao lado da política, formatada,
desenhada e constituída, é preciso um importante
um trabalho de governança coletiva, e eu creio
que a produção de material didático
deveria entrar nessa lógica. Quero destacar um
trabalho importante da CGEEI/SECAD-MEC. Refiro-me a uma
excelente articulação entre a CGEEI e a
Secretaria de Educação Profissional, de
tal maneira que um programa importante, como é
para o Ministério da Educação, hoje,
o Programa Brasil Profissionalizado, que vai financiar
o ensino médio integrado para os estados da federação,
e incluiu um olhar sobre a questão indígena.
A questão indígena hoje, e a cada dia mais,
integra o âmbito de preocupações e
atenções das políticas do Ministério.
Eu sei que há muito para onde avançar, que
se trata de uma questão muito complexa, mas eu
creio que nós estamos encontrando um caminho muito
nítido e muito estratégico a partir dos
conceitos que o PDE formulou. O PDE parte de uma idéia
de que educação, desenvolvimento e território
devem dialogar, e que sem controle social, sem a responsabilização
de gestores, não haverá melhoria da educação.
Portanto, eu acho que o PDE nos dá o conceito político
forte, que nos permite construir o conceito dos Arranjos,
e nos permite convidar os parceiros para que sentemos
à mesa diante de um projeto que nada mais é
do que a tradução da garantia prometida
pela Constituição brasileira.
TRILHAS: Secretário, como vocês estão
planejando a participação da Comissão
Nacional de Educação Escolar Indígena
na avaliação, formulação e
implementação dessas diversas políticas
específicas que compõem mais amplamente
a política de educação escolar indígena
do MEC?
A.L.: Eu vivi recentemente uma experiência que
me deixou muito entusiasmado, por um lado, e um pouco
apreensivo, por outro, mas eu acho que faz parte da vida
da gestão pública esse encontro de sentimentos,
que foi o encontro promovido pela CGEEI, entre a Comissão
Nacional de Educação Escolar Indígena
e os gestores estaduais da educação escolar
indígena. Foi muito rico colocar na mesma sala,
discutindo a mesma agenda, aqueles que são os sujeitos
da educação nas aldeias, com aqueles que
são os sujeitos da execução nos estados.
Essa aproximação é vital para nós,
foi positivo, portanto, haver essa aproximação.
Foi preocupante notar que ainda não conseguimos,
e isso deve ser um esforço coletivo, uma adequada
compreensão, a meu ver, do rumo que estamos seguindo.
Eu acho que nós ainda precisamos conversar mais,
precisamos comungar mais quanto aos objetivos estratégicos,
precisamos reconhecer melhor os esforços. Eu me
lembro que nesse encontro havia certa queixa difusa quanto
ao papel dos estados, quando foi justamente a participação
dos estados que permitiu a elaboração de
um plano que mobilizou do Governo Federal R$ 116 milhões
para a educação escolar indígena.
Não é correto, pois, essa incompreensão
com aqueles atores do estado, o que não significa
que não haja tensões com os estados. Há
tensões com os estados, mas é importante
reconhecer que nas administrações dos estados
há pessoas extremamente comprometidas com os direitos
indígenas. Portanto, se nós não construirmos
uma aliança – e os povos indígenas
são sábios em construir alianças
–, nós podemos esfacelar um processo que
está ganhando uma forma correta, que é a
forma de garantia do direito. Então, a minha preocupação
é que o documento resultado dessa reunião
não foi capaz de expressar esse compromisso que
é muito visível Eu compreendo o fato de
que muitas lideranças indígenas demonstram
insatisfação com o estado da arte da educação.
São 500 anos de lutas, de muita violência,
primeiro física, depois simbólica, formas
de violência que não estão integralmente
superadas. É necessário ter uma atitude
responsável de compreender a dimensão política
desse processo. Mas, ao mesmo tempo, eu não tenho
dúvida de que não venceremos os desafios
sem o reconhecimento de esforços e sem a definição
de uma agenda comum, a partir da qual possamos cobrar
responsabilidades. Não se pode cobrar uma responsabilidade
irrestrita a cada um dos parceiros: é preciso entender
até onde vai o papel de cada um dos parceiros para
que essa cobrança seja legítima e reconhecida
por aquele que é cobrado. O MEC reconhece que tem
que ser cobrado em várias coisas, mas também
quer ver reconhecido seu esforço de construir esse
ambiente de diálogo. Surpreende-me que nos cobrem
duramente a ausência de uma reunião da Comissão
Nacional de Educação Escolar Indígena
no ano passado, mas não cobrem a FUNAI pela não
existência de qualquer comissão caráter
participativo na educação escolar indígena!
Como o maior órgão de gestão pública
da questão indígena no país não
tem participação indígena e o Ministério
da Educação que faz um esforço para
ter o controle social indígena no interior do desenho
de sua política paga uma conta que não é
só a sua? Então eu creio que é preciso
um amadurecimento no diálogo para se entender quais
são as responsabilidades de cada ator, e cobrá-las,
mas cobrá-las dentro da perspectiva do objetivo
comum que a pauta estabelece.
No entanto, o sentimento que eu aqui expresso faz parte
de um processo de construção coletiva. Trata-se
do sentimento de que há um esforço muito
grande das equipes do Ministério da Educação
em cumprir essa agenda e, eventualmente, em um encontro
como esse a que me referi, a gente não vê
esse reconhecimento explícito, e isso não
estimula uma equipe tão dedicada, tão capaz,
e que tem feito o melhor dos seus esforços para
a garantia dos direitos indígenas. Falo, pois,
aqui, um pouco como liderança de minha equipe,
que não se sentiu valorizada em seus esforços,
e acho que como qualquer liderança que não
vê os esforços de sua equipe reconhecidos,
eu também reajo quando vejo que o trabalho da minha
equipe, que é um trabalho de grande qualidade,
não está merecendo essa consideração.
Mas creio que essa situação é superável,
porque nós temos objetivos comuns, temos um compromisso
que não é de indivíduos, é
um compromisso gravado na Constituição.
Nós somos indivíduos que estamos cumprindo
o que é uma determinação constitucional,
uma orientação do Presidente da República,
uma orientação de um Ministro de Estado.
Portanto, não se trata aqui de boa ou má
vontade: se trata do compromisso, como funcionários
públicos, de garantir o que a lei nos determina
que seja feito.
Nesse sentido, o Ministério tem evoluído
na compreensão no modo pelo qual a participação
das comunidades indígenas deve se exercer no interior
do acompanhamento das políticas. De uma Comissão
Nacional de Professores Indígenas avançamos
para a compreensão da relevância do papel
de outras lideranças indígenas, professores
ou não, e agora avançamos para a compreensão
que não inclui somente lideranças indígenas,
mas também gestores de políticas públicas.
Eu acho que isso é muito relevante porque nós
da SECAD temos a compreensão de que o Estado sozinho
não será capaz de garantir essas políticas,
uma vez que essas políticas emergem como um processo
de luta social. Portanto, é fundamental que o Estado
tenha a humildade de reconhecer que ele precisa manter
um diálogo permanente com diferentes atores que
têm responsabilidade com a garantia do direito à
educação das populações indígenas
para que suas políticas sejam adequadas ao que
são essas expectativas, mas também distribuam
adequadamente essas responsabilidades. Portanto, eu creio
que a gente ao proceder o estudo desse novo formato da
política de educação, a gente adensa
a política de educação indígena,
e lança sobre ela um conjunto de olhares que também
se traduz num conjunto de responsabilidades. Eu acho que
a questão central –, e as lideranças
indígenas com quem tenho conversado têm muita
maturidade quanto a isso –, é garantir que
essa política se torne uma política de Estado,
que tenha responsabilidades compartilhadas e bem definidas.
Nós temos que sair de qualquer lógica assistencialista,
mas também sair da lógica em que, em nome
da autonomia se abandonam as responsabilidades. Portanto,
há um equilíbrio, e esse equilíbrio
é complexo, esse equilíbrio é dinâmico,
e eu creio que a forma de um Conselho pelo qual nós
estamos trabalhando, que envolve gestores públicos,
lideranças indígenas, professores, organizações
indigenistas, um conjunto de atores, essa forma traduz
a maturidade que o tema vem adquirindo no Ministério
da Educação. O que é importante para
nós é que este seja um conselho não
apenas para a SECAD, mas também para o Ministério
da Educação. A SECAD é executora
de uma política, mas a política não
se esgota na SECAD, portanto é fundamental conquistarmos
essa maturidade e, como o Ministro tem insistentemente
nos pedido, dar-lhe institucionalidade. O Ministro Fernando
Haddad não tem poupado esforços nessa observação,
ele a repete constantemente, que nós devemos avançar
para garantir um maior grau de institucionalidade na política
de educação indígena, de forma que
daqui a 2 anos e 8 meses, quando terminarmos o nosso mandato,
nós tenhamos deixado no Ministério da Educação
uma estrutura de Estado para garantir o direito à
educação.
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