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De acordo com André Lázaro, é fundamental
avançar na compreensão do que é o direito
indígena. Segundo ele, o Brasil ainda vive preso
a um mito romântico que pretende manter os indígenas
num pseudo-estado de natureza e que, portanto, a educação
superior não lhes seria adequada. Ele enfatiza, também,
que as populações indígenas têm
direito a uma parte expressiva do território nacional,
um direito garantido e constituído, e que eles têm
que receber apoio para o desenvolvimento de tecnologias
de gestão territorial, para que possam exercer esse
direito.
Segundo Lázaro, o alcance pleno dessas conquistas,
deve ser iniciado pelo convencimento, pela sensibilização
e pelo debate político no âmbito do direito.
Ele diz que o Brasil ainda não é um país
onde o imperativo do direito esteja garantido, e que ainda
opera sob certas dimensões patrimonialistas e de
favor. Para ele há que se avançar muito no
campo do reconhecimento dos direitos indígenas.
Edital do PROLIND sai ainda em 2008
Com relação ao Programa de Apoio a Planos
de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais (REUNI) ele acha que foi sinalizado para a rede
de universidades federais a necessidade de uma política
de inclusão que leve em conta as peculiaridades de
cada região do país e, em particular, o atendimento
às populações indígenas. Infelizmente,
a resposta ficou aquém daquilo que são as
legítimas demandas indígenas. No entanto,
André anuncia que já está encaminhado
para a validação legal, agora em 2008, outro
edital do Programa de Formação Superior e
Licenciaturas Indígenas – PROLIND, que é
referente ás licenciaturas indígenas, o qual
nesse momento passa por uma transição de institucionalidade,
para a qual já se tem o apoio do ministro. A intenção
é que o PROLIND venha a se constituir num programa
de apoio à docência, específico para
a população indígena, que permitiria
o pagamento de bolsas para tutores, orientadores e para
os próprios indígenas.
Novas políticas anunciadas para o ano que
vem
Além disso, ele informa, também, que em
2009, a pretensão é a criação
de um programa de iniciação à docência:
o Programa de Bolsa Institucional de Iniciação
à Docência–PIBID Indígena. Para
o secretário a idéia é somar com o
PROLIND, lhe conferindo melhor institucionalidade, e ter,
também, o chamado PIBID Indígena, constituindo
uma base legal para o pagamento de bolsas. Para o próximo
ano, também, André pretende avançar
para a criação de um Conexões de Saberes
Indígena, porque com isso, tem-se um programa que
acolheria as demais áreas profissionais, além
das licenciaturas, nas quais estão inseridos os alunos
indígenas, nas universidades federais, fortalecendo
o seu vínculo étnico e identitário.
Com relação ao trabalho que já foi
desenvolvido e às propostas futuras,no que tange
à produção de material didático,
o secretário acredita que, por um tempo, foi correto
trazer para o MEC uma responsabilidade maior quanto ao atendimento
dessa demanda legítima, mas crê, também,
que quanto mais o MEC puxa para si essa responsabilidade,
menos constrói condições locais de
governança sobre a política. Ele afirma que
uma política pública sem governança
local se torna uma política meio ao arbítrio
do gestor, e que não fortalece o controle social
sobre ela. Segundo ele, os Arranjos Étnico-educacionais
ajudarão a construir acordos sobre as prioridades,
acordos sobre as responsabilidades e acordos sobre a destinação
de recursos
MEC planeja política de educação
indígena a longo prazo
Lázaro acredita que o MEC tem evoluído na
compreensão no modo pelo qual a participação
das comunidades indígenas deve se exercer no interior
do acompanhamento das políticas. Ele e a equipe da
Secad entendem que o Estado sozinho não será
capaz de garantir essas políticas, uma vez que essas
políticas emergem como um processo de luta social.
Portanto, é fundamental que o Estado tenha a humildade
de reconhecer que ele precisa manter um diálogo permanente
com diferentes atores que têm responsabilidade com
a garantia do direito à educação das
populações indígenas para que suas
políticas sejam adequadas ao que são essas
expectativas, mas também distribuam adequadamente
essas responsabilidades.
O secretário diz que é de suma importância
garantir que essa política se torne uma política
de Estado, com responsabilidades compartilhadas e bem definidas.
Ele acredita que a forma de um Conselho pelo qual estão
trabalhando, que envolva gestores públicos, lideranças
indígenas, professores, organizações
indigenistas, um conjunto de atores, vai traduzir a maturidade
que o tema vem adquirindo no Ministério da Educação.
A meta é que seja um conselho não apenas para
a SECAD, mas também para o Ministério da Educação.
Segundo Lázaro, o Ministro Fernando Haddad não
tem poupado esforços nessa observação,
ele a repete constantemente, que nós devemos avançar
para garantir um maior grau de institucionalidade na política
de educação indígena, de forma que
daqui a 2 anos e 8 meses, quando terminarmos o nosso mandato,
nós tenhamos deixado no Ministério da Educação
uma estrutura de Estado para garantir o direito à
educação.
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